quinta-feira, 21 de maio de 2009


STRESS NÃO É DOENÇA


No corpo humano existem mecanismos inatos que funcionam como proteção às agressões exteriores. Essas agressões podem ser físicas, como calor ou frio em excesso, ou emocionais, como o perigo iminente. A reação do corpo à agressão (stress) é chamada “adaptação” e consiste num mecanismo complexo que envolve o sistema nervoso e o sistema glandular (endócrino). O conjunto das respostas que constituem a adaptação varia, dependendo da natureza do stress e do caráter básico do indivíduo. Em geral, a responsabilidade do stress físico é física: a resposta adaptacional ao stress emocional é física e psicológica. Estas últimas respostas podem ser expressas pelas reações de ira, medo, desgosto, etc. Uma das mais importantes, é a reação a uma agressão grave e repentina, que provoca uma resposta generalizada, conhecida como choque, estado no qual o conteúdo sanguíneo do corpo é redistribuído aos órgãos mais necessitados. No entanto, se durar muito tempo pode perder sua eficácia como mecanismo protetor e levar à morte. Outra reação muito comum é a alergia; a resposta alérgica, na forma da asma ou urticária é a defesa do corpo contra substâncias estranhas. Mas se a reação protetora for muito intensa (como no caso da asma brônquica), pode ser mais séria do que o stress que a originou. Da mesma forma que o stress físico pode provocar reação física (asma), um stress psicológico (medo). A reação do medo é biologicamente destinada a ajudar a pessoa a enfrentar o perigo. Assim diante do perigo, as glândulas ad-renais produzem certa secreção que capacita o corpo a suportar o stress. Os elementos psicológicos do medo podem tornar-se intensos a ponto de comprometer a capacidade do indivíduo; e a resistência prolongada dos elementos físicos pode causar doença física.

Afinal o que é o stress?

Em 1936 Hans Selye, médico e pesquisador austríaco que trabalhava em Montreal, no Canadá, empregou pela primeira vez, como termo médico, a palavra inglesa stress, para caracterizar qualquer agente ou estímulo, nocivo ou benéfico, capaz de desencadear no organismo mecanismos neuroendócrinos de adaptação. Em 1950 Selye publicou a obra que o consagrou, na qual expôs de modo completo a síndrome geral de adaptação, sob o título “Physiology and Pathology of Exposure to Stress”.

Segundo Dra. Marilda Emmanuel Novaes Lipp, o stress é uma condição de desequilíbrio do funcionamento, tanto físico como mental. Em momentos de tensão excessiva, todo o organismo é afetado de pronto, não há danos maiores para a pessoa. No entanto se a condição de desequilíbrio permanecer por tempo excessivo, as doenças começam a surgir e a impaciência, ansiedade e a depressão se estabelece.


“O stress não é uma doença, é uma reação perfeitamente normal do organismo e indispensável para a sobrevivência humana. Sem a drenalina provocada pelo stress não há preparo para enfrentar uma situação de grande perigo ou uma emoção forte. Neste caso ocorreria a paralisação, e o ser humano ficaria sem ação, algo extremamente desfavorável dependendo da situação”. “Como nos ensina a Dra Alexandrina Maria Augusto da Silva Meleiro.”


Alguns médicos chamam essas doenças resultantes de stress psicológico de doenças psicossomáticas.

Doenças e sintomas psicossomáticos, geralmente são de caráter físico, produzidos por fatores neuróticos (emocionais) ou nos quais os fatores neoróticos desempenham papel importante. Nenhum órgão do corpo é imune a esses problemas, que podem manifestar-se sob forma de alergia erupção cutânea e outros tipos de doença física orgânica. Essas doenças estão relacionadas com o estômago, podendo manifestar-se por hiperacidez (azia), má digestão e até mesmo úlcera, pode, ainda, comprometer os intestinos e causar uma indisposição espásticas psicossomáticas podem assumir a forma de uma colite acentuada, com a formação de úlceras nas paredes do intestino.

Algumas reações ao stress são essenciais à saúde. Por exemplo, a reação alérgica resulta do mesmo mecanismo que permite a imunidade a certas doenças. Similarmente, em qualquer doença física, a produção de certos hormônios pelas glândulas ad-renais é um recurso do organismo para combater a doença. Acredita-se que resposta adaptacionais desequilibradas, hiperativas ou hipoativas, podem resultar em doença física verdadeira. A alergia pode resultar do desequilíbrio de uma resposta adaptacional física. A pressão sanguínea alta, por lado, é considerada por muitos como conseqüência de hiperatividade de uma resposta de adaptação emocional. Quando a pessoa se excita sua pressão sobe e ela torna-se mais perturbada. E se o excitamento persiste muito tempo, a pressão fixa-se em níveis altos e a pessoa fica fisicamente doente. Por outro lado, em certas doenças, os órgãos adaptacionais reagem como se estivessem exaustos. Por exemplo, as glândulas ad-reais podem secretar uma quantidade insuficientemente de hormônios (cortisona) e o corpo então reage deficientemente. Isso provoca doenças c Omo artrite ou colite. A administração de hormônios da ad-renal (cortisona) pode normalizar a situação.

A reação do stress é benéfica ou maléfica?

É basicamente benéfica, uma vez que constitui um sistema biológico de autoproteção. Mas isso depende da intensidade da reação adaptativa; se o sistema adaptaciopnal se torna hiperativo ou se adaptativo; se o sistema adaptacional se torna hiperativo ou se exaure, pode originar doença física ou mental verdadeira.

Qual é a relação dos mecanismos de stress com os chamados distúrbios psicossomáticos?

Os distúrbios psicossomáticos são considerados por muitos médicos como o resultado físico de tensão emocional prolongada. Doenças como a pressão sanguínea alta, a úlcera péptica e o hipertireoidismo entram nessa categoria. Outras doenças, como a artrite, a colite e as alergias são consideradas conseqüência de uma resposta deficiente do sistema adaptacional através da exaustão.


Convém ressaltar que o stress pode ser provocado por uma Depressão, e a Depressão também pode ser provocada por stress.


Até que ponto o stress pode influenciar no envelhecimento

Muitos pesquisadores acreditam que o processo de envelhecimento resulte, até certo ponto, de agressões freqüentes e contínuas ao corpo, em períodos prolongados. O endurecimento das artérias, por exemplo, pode resultar da pressão sanguínea alta e da diabete e ambas podem ser consideradas respostas adapatacionais. As glândulas endócrinas, em particular, tende acelerar o processo de envelhecimento. Parece que para prolongar a vida, deve-se evitar qualquer tipo de stress excessivo.


CONCLUSÃO

Não aprendemos e não sabemos trabalhar com as nossas emoções, principalmente com o medo e a raiva. As civilizações antigas aprendiam a lidar com as emoções através de rituais, trabalhavam tanto o medo como a raiva, o que fazia parte do dia a dia. Os conhecimentos eram passados através dos rituais iniciáticos ou passados de pais para filhos, ou ainda, de mestres para discípulo. Na civilização atual os rituais foram banidos, o que realmente aconteceu, as pessoas não estão preparadas, não foram educadas, não sabem lidar com as emoções, medo e raiva. No cristianismo as pessoas são educadas para não sentirem raiva, com isso tanto o medo como a raiva são mascarados, tornando-se assim uma doença patológica. O medo é expressado através da ansiedade. Como a raiva não pode ser expressada, é contida para não configurar como pecado ou falta de educação ou respeito. Com isso a raiva é introjetada e vai para dentro da depressão. A raiva incontrolada passa a ser agressividade, que outra coisa que as pessoas não aprenderam a trabalhar. As pessoas não canalizam a agressividade. A depressão nada mais é do que uma agressividade contida. Como as pessoas não conseguem manifestar a raiva contida, passam a sentirem frustradas, passam a se martirizarem, torna-se um dor emocional, com isso ela se fecha, passa a querer ter controle de tudo. Como não conseguem ter controle do futuro passa a serem ansiosas, já os depressivos não conseguem ter controle sobre os fatos do passado. Normalmente as pessoas stressadas ou deprimidas são controladoras, sofrem, sente raiva, sentem o orgulho ferido é a raiz é a raiva contida.


Sintomas que indicam a necessidade de uma pessoa receber cuidados psiquiátricos

1 – doenças freqüentes que não são claramente de origem física;
2 – queixas prolongadas e persistentes, sem doença ou sintomas característicos;
3 – depressão freqüente e persistente;
4 – irritabilidade e gênio incontrolado;
5 – incapacidade de exercer um trabalho contínuo;
6 – fadiga persistente;
7 – conflitos freqüentes com as pessoas do convívio diário;
8 – ansiedade repetida e medo infundado;
9 – insônia persistente;
10- perda de apetite.


Emoções

É a resultante da experiência humana que reflete as reações e sentimentos que as pessoas experimentam em diferentes situações. São respostas psicológicas ( condicionadas por experiências anteriores) a várias situações. O medo, o amor, o ódio e a ira são alguns exemplos mais comuns.

Psiquiatria

É o ramo da medicina que se dedica ao estudo e ao tratamento das doenças da mente humana, dos distúrbios do comportamento e das emoções. Algumas dessas perturbações estão associadas às alterações do sistema nervoso, e por isso as áreas da psiquiatria e da neurologia sempre se cruzam.

Psicologia

É o ramo da biologia que estuda todos os aspectos do comportamento e da consciência.


Neuroses

São distúrbios emocionais caracterizados por respostas inadequadas, excessivas e anormais às situações da vida cotidiana. As reações neuróticas são, portanto aquelas que ultrapassam as reações emocionais comuns e caracterizam formas de comportamento nas quais as emoções passam a dominar a conduta das pessoas. Essas reações são freqüentemente desencadeadas por circunstâncias que perturbem particularmente o paciente em termos emocionais, mas são causadas por motivos não identificados ou inconscientes chamados conflitos que estão fora do controle do paciente. Entre as reações neuróticas estão fenômenos como a ansiedade, a irritabilidade, as compulsões, as fobias e certos tipos de depressão. Na verdade, as reações neuróticas representam respostas imaturas e contingências da vida cotidiana. Não precisa acontecer uma sobrecarga exagerada para estressar. Às vezes vários pequenos fatores se acumulam e sobrecarregam o organismo. Isto é muito importante, porque a maioria das pessoas acha que para estressar precisa existir um problema muito grande, e não precisa mesmo! Com o tempo aprendemos a controlar, administrar e conviver com os problemas que nos sobrecarregam e causam ansiedade. Cada pessoa tem um limite de problemas que ela consegue administrar, isso é individual. Você não precisa se livrar de todos os problemas ao mesmo tempo, basta aprender e administrar a quantidade que o sei organismo comporta.É importante, em primeiro lugar conscientizar e aceitar que esta stressado, em segundo ligar mudar os seus hábitos, reduzindo o consumo de bebidas alcoólicas, cigarros, ter uma alimentação mais saudável, procurar uma psicoterapia, dormir mais cedo, tirar férias, viajar, curtir a família, fazer meditação, yoga. Caminhadas. Não deixe de se tratar. Sua qualidade de vida só pode melhorar.

VITOR SANTOS e ALINE SANTOS são terapeutas, jornalistas escritores e pesquisadores


vitor.d.santos@hotmail.com
arcanjo.azul@hotmail.com


Referências:

1 - O stress dentro de você, Dra. Marilda Lippi, Editora Contexto

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